Hoje voltei a um site de uma entidade que cuida e encaminha animais para adoção e me deparei com essa mensagem em letras garrafais: “Por favor parem de me escrever pedindo para eu ficar com seus animais. Não tenho condições, não dá.”

Imediatamente me veio à mente minha luta para adotar um gatinho. Luta, sim! Antes de tudo, gostaria de reiterar a minha total admiração pelo trabalho e coragem das entidades que põem a mão na massa e trabalham com o resgate, cuidado, castração e encaminhamento para adoção de animais de estimação, como cães e gatos. Realmente um trabalho hercúleo e digno de todo elogio e ajuda.

Pagu, antes

Pagu, antes de ser aodtada e virar Pagu

Sem ter a intenção direta de criticar esse trabalho, gostaria de registrar aqui um pouco do outro lado: o de quem pensou, decidiu, tentou e conseguiu (ou não) adotar um animal de uma entidade “cachorreira” ou “gateira”, em vez de simplesmente ir num pet shop e comprar o animal que está na moda. É mais um desabafo, mesmo.

Quando comecei a pesquisar e consultar as entidades que dão abrigo e encaminham gatos para adoção, me deparei com algo que, por mais que tentasse compreender, me frustrou mais que sensibilizou: as exigências impostas para a adoção. Que se cobre um mínimo de compromisso, claro! Que se garanta um mínimo de certeza que a adoção será o melhor para o candidato e para o bichinho, lógico! Até concordo em preencher fichas, ler informações úteis, receber orientações, dar referências, assinar termos e tal. Tá certo!

Mas algumas organizações chegam a cobrar “doações” para quem pretende adotar um animal. Gente, doação não se exige! Outras, exigem uma “inspeção” no local onde o bichinho vai ficar. Se não seguir todas as exigências, elas não deixam o pet no local! Imaginem a frustração! Me desculpe, mas ninguém entra na minha casa sem meu convite – ou sem um mandado 🙂 O lar é protegido pela Constituição.

Senti ainda uma dificuldade maior, quase um “preconceito’ (!!!), pelo fato de ser homem, solteiro, não ter criança nem “dona patroa” em casa para ficar cuidado do novo “filho”. “Ah, mas o bichinho vai ficar sozinho…”. Acho que pensavam que, depois de preencher uma ficha com todas as referências, eu iria pegar o gatinho para fazer sopa ou algum ritual satânico. JeeZ!

Pagu Depois

Pagu, hoje

Depois de ser jogado de uma ONG para um tratador, de um tratador para um abrigo temporário, etc. E ouvir um monte de “já foi adotado”, “já tem uma pessoa”, etc. finalmente eu consegui adotar a Pagu (gratidão eterna à Jacy e à Tereza). Ela havia sido recolhida da rua e estava em uma gaiola. Agora ela mora em uma casa ampla (tem até quarto próprio, a folgada), recebeu todas as vacinas, foi vermifugada, despulgada e é tratada com todo carinho necessário. Não sai pra rua, não pula muro, come boa ração, tem areia sanitária, brinquedo, e é estrela na Internet.

Por fim, gostaria apenas que essas entidades e cuidadores refletissem um pouco: será que os abrigos não estão cheios por causa dessa dificuldade, dessa burocracia, desse, me parece, excesso de cuidados? Me lembra o caso das crianças que estão nos orfanatos para adoção, enquanto o governo faz exigências aos adotantes que vão muito além do que é praticado por famílias naturais. Penso que se isso fosse aplicado a todas as famílias, o governo ia tirar a guarda da metade dos filhos dos brasileiros.

Hoje, olho para a Pagu brincando pela casa e penso: por muito pouco você não ficou presa a vida toda dentro de uma gaiola, ou teve que ser solta de novo e viver na rua, à mercê do pior que um animal de estimação sem lar pode encontrar. Será que eu sou mesmo uma exceção?