Boechat: Sobre Vândalos e Gladiadores

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Longe de querer me sobrepor aos deuses do olimpo midiático, sinto que, como mero telespectador, o problema da mídia jornalística é que ela está tão acostumada a bater (foi criada para isso?), que não aceita apanhar. Na média, a imprensa tem que ser olhos, boca, quase nunca ouvidos (menos para ouvir o que não foi necessariamente dito, mas era conveniente). E quando apanha, é criticada, contrariada ou questionada, fica atônita, como criança mimada que não teve um gesto aprovado.

Obvious distractionNo seu programa matinal de hoje, na rádio Band News, o jornalista Ricardo Boechat, a quem admiro pela experiência e costumeira seriedade, me pareceu personificar um pouco dessa imprensa rancorosa, que não aceita questionamentos. Comentando a repercussão negativa sobre a cobertura da imprensa, nos casos dos protestos do Rio de Janeiro e São Paulo (em que todos os holofotes foram apontados para black blocks e oportunistas de plantão), o jornalista usou uma metafórica manifestação de gladiadores na Roma Antiga (!!) em que, mesmo lá, se um grupo de “Black Gladiadores” incendiasse o Coliseu, também conseguiria todas as atenções da “imprensa” local.

Então vamos falar por metáfora também. Imagine o cachorro adotado por um desses gladiadores, criado na rua, mas que o atleta da morte resolveu adotar e criar somente à base de ração de qualidade, balanceada, sem conservantes e corantes. O gladiador prepara uma grande tigela romana cheia da ração e oferece ao simpático cãozinho. Ao começar a comer, vem outro gladiador invejoso e balança diante do animal (o cão) um enorme bife de filé mignon. Diante da tentação irresistível, o cãozinho larga o insípido, embora saudável, prato de ração e corre para a perfumada e suculenta oferta do oponente, diante dos olhos decepcionados de seu primeiro benfeitor.

Que culpa tem o cãozinho? Ele precisa se alimentar e acredita que a carne, além de saborosa, perfumada e tentadora, é mais adequada para matar sua fome primitiva. Talvez o “mal” dos veículos de imprensa resida no fato de serem, também, empresas normais, que precisam pagar impostos, contas e funcionários e, além disso, lucrar. Para isso, precisam vender anúncios, negociar horários, etc. E não se vende anúncio quando não há público. E não se tem telespectador ou leitor, quando as imagens não gritam, não pulam, não explodem e sangram. Então como resistir à tentação e manter o foco (ou ao menos dividi-lo de forma justa) com o outro fato, tão ou mais relevante, que são os pobres milhares de manifestantes trazendo pautas legítimas à tona, tentando mudar o mundo de forma justa e simpática?

A queixa geral é que os tais vândalos sufocam as manifestações, desviam esse foco. Mas quem está no comando desse foco não é a imprensa? É a mídia que joga os holofotes, aponta as câmeras, estabelece a pauta, inicia o debate. E se jornais e sites só mostram esse lado negro das manifestações, acabam por legitimar as reações radicais dos governantes, esses sim, vândalos oportunistas, que se beneficiam da repercussão dos fatos para aplicar seus golpes light na forma de leis e atos absurdos, mas devidamente validados pela população apavorada e mal informada. E se algum mortal ousar questionar o modus operandi da grande imprensa nacional diante de algum semideus encarnado em tela plana, virá logo a pergunta implacável: “Você é jornalista?” Me restando, retraída e laconicamente, responder: “Não senhor, sou apenas um pobre telespectador”.

Tim, sem fronteiras para decepcionar

Red Man with anger

Red Man with anger

Após dois dias com meu celular Tim apresentando a mensagem de “Rede Ocupada”, a operadora me informa que eu deveria estar com defeito no chip (não haveria de admitir defeito na rede, né?) O restante da novela, até o momento, eu registro abaixo, nessa mensagem que enviei à operadora. Estou aguardando algum retorno:

“Gostaria de registrar meu descontentamento com o atendimento TIM.
Após abrir protocolo sobre defeito de Chip, fui orientado a me dirigir a uma loja TIM para troca do chip.
Primeiro houve a dificuldade de encontrar chips disponíveis em 3 lojas, em dois dias de consulta.
Após localizar uma loja com o chamado “chip virgem”, me foi solicitado a apresentação de RG e CPF originais para que uma cópia fosse tirada e enviada à TIM.
Fui pego de surpresa com a exigência absurda e não portava o CPF. A atendente disse que não seria possível trocar o chip então, mesmo a linha já estando registrada em meu nome/CPF e eu não estar comprando produto nem abrindo crédito!
Não há sentido algum nessa exigência, a não ser que a Tim prime pela dificuldade na hora de atender o cliente.
Nem a Receita Federal emite mais cartão de CPF, pois o importante é o número, juntamente com identificação (RG).
Infelizmente essa operadora se mostra “sem fronteiras” para frustrar seus clientes. Lamentável.”

P.S.: o chip do meu celular se regenerou milagrosamente e não apresentou mais o problema depois que entrei em contato com a operadora (e ainda não foi trocado)

Adoção de Pet: A Saga

Hoje voltei a um site de uma entidade que cuida e encaminha animais para adoção e me deparei com essa mensagem em letras garrafais: “Por favor parem de me escrever pedindo para eu ficar com seus animais. Não tenho condições, não dá.”

Imediatamente me veio à mente minha luta para adotar um gatinho. Luta, sim! Antes de tudo, gostaria de reiterar a minha total admiração pelo trabalho e coragem das entidades que põem a mão na massa e trabalham com o resgate, cuidado, castração e encaminhamento para adoção de animais de estimação, como cães e gatos. Realmente um trabalho hercúleo e digno de todo elogio e ajuda.

Pagu, antes

Pagu, antes de ser aodtada e virar Pagu

Sem ter a intenção direta de criticar esse trabalho, gostaria de registrar aqui um pouco do outro lado: o de quem pensou, decidiu, tentou e conseguiu (ou não) adotar um animal de uma entidade “cachorreira” ou “gateira”, em vez de simplesmente ir num pet shop e comprar o animal que está na moda. É mais um desabafo, mesmo.

Quando comecei a pesquisar e consultar as entidades que dão abrigo e encaminham gatos para adoção, me deparei com algo que, por mais que tentasse compreender, me frustrou mais que sensibilizou: as exigências impostas para a adoção. Que se cobre um mínimo de compromisso, claro! Que se garanta um mínimo de certeza que a adoção será o melhor para o candidato e para o bichinho, lógico! Até concordo em preencher fichas, ler informações úteis, receber orientações, dar referências, assinar termos e tal. Tá certo!

Mas algumas organizações chegam a cobrar “doações” para quem pretende adotar um animal. Gente, doação não se exige! Outras, exigem uma “inspeção” no local onde o bichinho vai ficar. Se não seguir todas as exigências, elas não deixam o pet no local! Imaginem a frustração! Me desculpe, mas ninguém entra na minha casa sem meu convite – ou sem um mandado  :) O lar é protegido pela Constituição.

Senti ainda uma dificuldade maior, quase um “preconceito’ (!!!), pelo fato de ser homem, solteiro, não ter criança nem “dona patroa” em casa para ficar cuidado do novo “filho”. “Ah, mas o bichinho vai ficar sozinho…”. Acho que pensavam que, depois de preencher uma ficha com todas as referências, eu iria pegar o gatinho para fazer sopa ou algum ritual satânico. JeeZ!

Pagu Depois

Pagu, hoje

Depois de ser jogado de uma ONG para um tratador, de um tratador para um abrigo temporário, etc. E ouvir um monte de “já foi adotado”, “já tem uma pessoa”, etc. finalmente eu consegui adotar a Pagu (gratidão eterna à Jacy e à Tereza). Ela havia sido recolhida da rua e estava em uma gaiola. Agora ela mora em uma casa ampla (tem até quarto próprio, a folgada), recebeu todas as vacinas, foi vermifugada, despulgada e é tratada com todo carinho necessário. Não sai pra rua, não pula muro, come boa ração, tem areia sanitária, brinquedo, e é estrela na Internet.

Por fim, gostaria apenas que essas entidades e cuidadores refletissem um pouco: será que os abrigos não estão cheios por causa dessa dificuldade, dessa burocracia, desse, me parece, excesso de cuidados? Me lembra o caso das crianças que estão nos orfanatos para adoção, enquanto o governo faz exigências aos adotantes que vão muito além do que é praticado por famílias naturais. Penso que se isso fosse aplicado a todas as famílias, o governo ia tirar a guarda da metade dos filhos dos brasileiros.

Hoje, olho para a Pagu brincando pela casa e penso: por muito pouco você não ficou presa a vida toda dentro de uma gaiola, ou teve que ser solta de novo e viver na rua, à mercê do pior que um animal de estimação sem lar pode encontrar. Será que eu sou mesmo uma exceção?

Desativando o Canal Ideias da Claro

Craro que nãoDe repente, no seu celular Claro (a operadora que o Faustão escolheu) não param de pipocar notícias, curiosidades, enquetes e outras tranqueiras, sem você ter solicitado? Essa maravilha da chatice tecnológica se chama Canal Ideias, e a “ideia” aqui, no caso, é fazer você interagir com o sistema através de SMSs e, “claro”, gastar seus créditos com bobagem.

No meu caso era mais irritante, porque eu uso o celular também como relógio. Ai, toda vez que vou ver as horas tem uma bobagem no display que me obriga a apertar teclas (e acender a luz do aparelho) até ver o relógio, que antes aparecia como descanso de tela.

Como pastei um pouco para descobrir como desativar essa coisa chata (o site da operadora é pior que o mundo da Alice), fica aqui a dica pra quem quer se livrar desse incômodo da forma mais rápida:

Pra desativar o chatíssimo serviço Canal Ideias da Claro, acesse o Menu Claro do seu celular > opção Canal Ideias > opção Ativação > opção Desativar > Ok.

Se não encontrar ou se seu celular não tem o menu Claro (como acontece com os desbloqueados ou multi chips) ai não tem jeito: respire fundo, ligue 1052 do celular e fale com os maravilhosos atendentes da Claro (haja!!).

Atenção: caso as dicas desse post não tenham ajudado muito, dê uma conferida nos comentários. Algumas pessoas têm enviado soluções diferentes. De repente, uma delas lhe serve!

Portifólio!?

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No mundo profissional da Web, as evoluções acontecem a anos-luz por segundo. É difícil acompanhar, até para quem está no meio. Imagine para os “meros mortais”!

Sempre que falo do meu trabalho surge a pergunta: “Você tem portifólio?”. Percebo, todas as vezes, uma reação misto de surpresa e decepção quando respondo “Não”. Aí tenho que completar com um “Veja bem…”.

O problema é que o profissional de web, hoje em dia, pelo menos no universo das pequenas agências, é o profissional “web tudo”. Ninguém fica mais numa salinha colorida, cheia de brinquedos, andando de patinete e pensando no próximo “design-arrebatador-multi-premiado”.

Poucos se dão ao luxo da especialização (digo exclusiva) em criação. O web tudo faz design – tambem-  mas, geralmente, sua criação é totalmente desvirtuada por sugestões de colegas, chefes e, principalmente, do cliente. Isso é inevitável. Não somos mas as estrelas sagradas, cujos tabalhos intocáveis devem ser adorados e acatados incondicionalmente (nem que seja para evitar um “piti” do “criativo” – aliás, quanta pretensão nesse adjetivo).

Trabalho diariamente em muitos projetos, ao mesmo tempo, em diversos níveis e em conjunto com outros profissionais. Crio design sim - inclusive – mas também faço design e programação de interface, direção de arte, pesquisa e implantação de soluções e novas tecnologias e outras coisas que precisariam, cada uma, de uma explicação própria (e maçante).

Veja o caso de alguns trabalhos em que estive mais próximo do conceito de web designer que o grande público tem:
buffetcallegari.com.br/shmhidraulicos.com.br/graficavektra.com.br/lavadorasebone.com.br/  etc. etc.  Não são “meus bebês”. Também não trabalhei apenas no “visual”. Muita coisa mudou desde a concepção inicial.

De fato, tenho participação em quase todos os projetos da produtora para que trabalho. E não só eu. Todos são trabalhos de equipe (mesmo). Não dá para assumir nenhuma “criança” sozinho e dizer “meu filhinho”. São coisas da vida (digital). Adapte-se ou entre em extinção, Sr. Criativo.

Capivara Bipolar

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Da série: Eu adoro humor inteligente

Quer saber como o nosso dileto presidente Barboni é retratado no restante da América do Sul? O site de humor venezuelando El Chiguire Bipolar ataca com o vídeo de animação Isla Presidencial para mostrar, com humor inteligente, o que aconteceu após a 74ª Cúpula (ou cópula) Ibero-americana.

Leia matéria sobre o vídeo na Folha on-line.

Veja o primeiro episódio da insólita série.

Os professores da minha vida

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Uma das minhas experiências profissionais foi como professor. Foi um período curto, menos de três anos, em cursos livres de informática. Uma pequena amostra dessa atividade que me fascina e me assusta. A experiência de entrar numa sala de aula e entregar, voluntariamente, conhecimento, energia, suor e sangue é algo que deveria ser compreendido e sentido, ao menos uma vez, por quem está recebendo esses sacrifícios (sacrifício, digo, no sentido de abnegação, oferenda, não… holocausto mesmo).
Não é uma atividade que se faz meramente por dinheiro ou por reconhecimento. Eu precisei passar por isso para entender que é quase como se consumir diariamente uma substância estimulante, delirante e viciante. Ah! se os alunos soubessem o êxtase que se sente ao final de um dia de aulas perfeitas, daquelas em que se conseguiu passar exatamente o que se planejou e (que raro!) se obteve a receptividade e compreensão desejadas. E como toda substância estimulante, ao final do dia não há mais forças. Ensinar exaure completamente as resistências físicas e mentais. A dor e o prazer diário de um parto.
Diante de uma turma não há dor no corpo nem na alma, doença, cansaço, depressão… nem vida lá fora. Não há tempo para essas “coisinhas” quando se coloca a alma em uma salva de ouro diante de alguém. E a dor de se ver essa oferta sendo espezinhada, vilipendiada impiedosamente pela platéia apática, descontrolada, completamente insensível diante desse momento, é a dor do parto de um natimorto. Não há adjetivos eficazes aqui.
Talvez o que nos resta de consolo é que a influência do momento em que se ensina algo (ou se tenta) pode, talvez, marcar a fogo a memória de quem o viveu, professor e aluno. Qual professor (ou ex) não traz na alma aquela aula memorável? Aquela turma estimulante? E qual aluno (ou ex) não traz no coração aquele professor memorável?
É em nome desses momentos, muitos, que eu trago na memória, por aqueles professores e a todos os meus ex-colegas e muitos amigos professores, dos cursos, da escola, da faculdade, da vida que eu trago no coração, que eu me apresento aqui, de forma representativa, para prestar minha homenagem e dizer: Muito obrigado! Não desistam! Esse caminho é sim de pedra, por vezes deslizante, por vezes cortante, mas sempre edificante.

Uma das minhas experiências profissionais foi como professor. Foi um período curto, menos de três anos, em cursos livres de informática. Uma pequena amostra dessa atividade que me fascina (e me assusta). A experiência de entrar numa sala de aula e entregar, voluntariamente, conhecimento, energia, suor e sangue é algo que deveria ser compreendido e sentido, ao menos uma vez, por quem está recebendo esses sacrifícios (sacrifício, digo, no sentido de abnegação, oferenda, não… holocausto mesmo).

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Faixa de (atropelar) pedestre

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Como um bom pedestre eu não poderia deixar de começar essa série sobre falta de civilidade falando sobre algo surreal aqui no Brasil: a faixa de pedestre. Dizem que faixa de pedestre são aquelas listras brancas no asfalto onde o pedestre pode ser atropelado sem ser advertido pelo guarda nem xingado pelo motorista. Continue lendo

Eu odeio falta de civilidade

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A idéia é fazer uma série de posts, sempre que possível com exemplos fotográficos, de falta de civilidade. A vida seria muito melhor em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza se houvesse um pouco mais de cooperação, educação e respeito ao próximo. Se as pessoas entendessem que a maior recompensa por agir corretamente no trânsito, na calçada, no transporte público, nas fila, etc. é a melhora desses ambientes e do funcionamento das coisas para elas, seus vizinhos, amigos, filhos… são coisas muitas vezes simples mas que são sufocadas pela mácula cultural brasileira que é tentar tirar vantagem primeiro, antes que outro tire. Me aguardem…

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